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Trilhos Anatômicos


Introdução aos trilhos anatômicos


O conceito de trilhos anatômicos foi desenvolvido por Thomas Myers, e outros autores como Leon Chaitow com publicações desde 1983, assim como os primeiros conceitos de musculaturas conectadas trazidas pelas terapeutas Francesas, como Piret e Béziers, que escreveram o livro a Coordenação Motora, Aspecto mecânico da organização psicomotora do homem em meados de 1971.


Outro autor muito conceituado que trabalha quase que exclusivamente com as fáscias e terapias manuais é o francês Marcel Bienfait; na década de 80 já publicava seus livros que são conhecidos até hoje, falando em fáscias como cadeia cruzadas e os músculos que as compreendem, Marcel, foi um dos o primeiro a descrever manobras fasciais para tratamento de alterações do tônus musculaturas e disfunções articulares.

Anteriormente a estes conceitos de fascia podemos elencar o conceito criado pelo Neurofisiologista Herman Kabat e a pela fisioterapeuta Margaret Knott em torno de 1946/51, quando publicaram seus primeiros livros, onde eles descreviam que a facilitação, estimulação ou inibição de um músculo altera o padrão de resposta de seus vizinhos, chamando isso de facilitação neuromuscular proprioceptiva. Os trabalhos de Herman e Margaret estabeleceram padrões de movimento em diagonais com algumas variações técnicas utilizando contrações e inibições de músculos em cadeia.

O conceito músculo-osso apresentado na descrição anatômica padrão fornece um modelo puramente mecânico do movimento, ele separa o movimento em funções distintas, não fornecendo uma imagem da integração inteiriça observada em um corpo vivo. Quando uma peça se move, o corpo como um todo responde, funcionalmente, o tecido que media está resposta é o tecido conjuntivo e suas alterações te tensão e tônus podem alterar as respostas neurológicas que o cérebro interpreta gerando padrões posturais diferentes do esperado ou do desejado.

Os trilhos apresentam relações miofasciais entre eles, a partir da anatomia viva, é desvendado um princípio de organização fundamental e funcional do movimento gerando como resposta a alteração da forma do organismo vivo. Devemos pensar nos trilhos como uma espécie de guia, que a medida que vamos compreendendo como eles estão interligados desde sua previsão genética, por assim dizer, até sua efetivação na relação com o objeto, espaço e com os outros seres, sempre em colaboração com os outros sentidos, gerando como resultado final a forma, a postura e o movimento.

Pensar no movimento como o Sexto Sentido é normalmente mal compreendido, uma das razões deve-se ao fato de o movimento, uma vez experimentado, fica quase que sempre entregue ao “piloto automático”; sem que muitas vezes percebamos que sua existência dependente da forma e do espaço ocupado pelos objetos e pelos outros seres humanos e os gestos motores também depende da forma.

“O Gesto molda a forma”

A frase acima é uma citação de Piret e Béziers em seus primeiros livros sobre a coordenação motora.


Eu já estou convencido que é a constância e insistência nos movimentos fundamentais que define nosso desenho anatômico. O que quero dizer é que: O que é funcional para uns, pode não ser funcional para outros.


Cada trilho reforçado uma vez, ficará mais facilitado na utilização posteriormente, em um circuito mais ou menos como este descrito abaixo, observe que tálamo está representado duas vezes, mas isso ocorre apenas representativamente, não possuímos dois tálamos.


Todos os homens fazem os mesmos gestos, mas cada um faz a sua maneira. Escrever, segurar um garfo, andar, subir escadas, ou simplesmente manter-se em pé; ao mesmo tempo que são gestos idênticos são únicos.


Se acha que existe um único jeito de caminhar você está errado! Existem diversos modus operandis, mas ao mesmo tempo, existe um padrão de ativações musculares que resulta em melhores estabilizações durante os movimentos.


As quatro referências que trouxemos anteriormente (Piret e Béziers, Kabat e Knot, Myers, Bienfait) acreditam que os músculos distribuem suas tensões não apenas pelas fibras musculares e colágenas de tendões mas também através de suas fáscias, resultando em respostas que alteram a tensegridade do sistema, gerando respostas neurais diferentes em cada ser vivo.


“Bendito seja os laços que fazem as ligações: a fáscia mantêm nossas células unidas" Thomas Myers

Quando Myers disse a frase acima, ele se referia a estas imagens:

O tecido fascial a direita mostrando a Linha Superficial Posterior, dissecada intacta por Todd Garcia, do Laboratories of Anatomical Enlightenment; acima a dissecção das fibras musculares eriçadas, mostrando fáscia endomisial circundante e de revestimento.

Estas imagens nos trazem o conceito de tensegridade.


A tensegridade é a capacidade presente em objetos cujos componentes usam a tração e a compressão de forma combinada, de forma a proporcionar-lhes estabilidade e resistência.


Este modelo de madeira e elásticos Myers utiliza muito comumente para representar como um músculo mais tenso ou mais relaxado poderá afetar a construção toda.


Este conceito nos leva a pensar que a tensão pode aproximar extremidades, gerando deslocamentos ósseos, levando a bloqueios articulares, alterando e deformando a forma corporal gerando adaptações musculares, aumentando as tensões em locais indesejados, criando assim um engrama motor ou drive motor disfuncional.


Observe o esquema abaixo falando onde descrevemos os ciclo vicioso que altera a postura, em uma descrição simplificada sem descrever a neurofisiologia dos processos é claro.


Uma alteração em qualquer ponto do ciclo irá gerar alterações na integridade do sistema, por exemplo, uma simples tensão muscular, irá aproximar as extremidades ósseas (milímetros por vez), gerando deslocamentos ósseos, levando a bloqueios articulares, alterando ou deformando a postura e estruturas corporais, gerando enfim novas adaptações musculares que por sua vez geram novas tensões musculares aumentando ciclo vicioso.


Agora imagine esse processo por meses, anos e décadas, as limitações agora ficam aparentes, porém tudo se iniciou com uma simples tensão muscular, e este é apenas um exemplo, isto poderia ter iniciado com um entorse de tornozelo, alterando a postura do membro inferior e por sua vez a postura corporal como um todo, visto que devido a tensegridade, todo o sistema está interligado.





Linhas Funcionais dos Trilhos Anatômicos


Cada sujeito apresenta seus trilhos de formas diferentes (respostas tônicas), mas com ligações idênticas em todos os sujeitos, devido as formações anatômicos comuns a todos os seres humanos e podemos pensar em uma frase dita por Kabat, “recentemente” em 1950, “todos os seres humanos, incluindo aqueles portadores de deficiência, possuem potencial não explorado”, e outra frase agora dita por mim neste livro, a biologia é uma só, nosso DNA é formado pelas mesmas moléculas, nossas células são idênticas, porém sua organização estruturas e as respostas ao meio onde estão inseridas é o que nos difere uns dos outros.


A melhor forma de trabalhar o sistema motor, é falando com seu comandante o cérebro, e pensando no sistema nervoso como um sentido, o que deve ser feito é estimulá-lo até chegar ao objetivo proposto inicialmente ou para o trabalho de rendimento.


Através da realização de movimentos funcionais o sistema Músculo Esquelético Fascial (MEF) é capaz de favorecer regiões corticais que acabam por re-transmitir informações ao sistema MEF para incrementar a contração muscular voluntária, controlar o tônus muscular, promover alongamento e fortalecimento, melhorar a resistência, promover “equilíbrio” tônico entre os músculos agonistas, antagonistas e sinergistas, melhorar a coordenação motora e estimular o aprendizado de padrões funcionais de movimento já inseridos em nossa memória ou até preparar para novos padrões de movimento.


Deve-se ressaltar mais uma vez que somos todos parecidos, mas não idênticos, apenas em um estudo já podemos observar as diferenças anatômicas estruturais diversas em um pequeno ponto do membro superior, onde Caetano et al 2017, estudou a formação de uma fáscia do membro superior e constatou após análise de 40 cadáveres que 29 deles apresentam conformação de uma forma, 9 de outra e 2 de outra forma, então pense em similaridades com algumas pequenas alterações estruturais de nascença e outras refinadas pelo uso e pelo ambiente.


Antes de apresentar os conceitos descritas por Myers dos trilhos anatômicos, vamos discutir como um ser humano escolhe uma via de movimento em detrimento de outra, então se você não leu ainda o artigo “Fatores neurobiológicos da tomada de decisão”, recomendo a leitura dele aqui.


No Próximo post vamos detalhar algumas cadeias musculares para não deixar este aqui tão grande, mas vamos apenas citar duas linhas a "Linha Superficial Posterior" e a "Linha Superficial Anterior".


A Linha Superficial Posterior é Formada pelas seguintes estruturas:


Osso Da Fronte , borda Supraorbital

  • Cume Occipital

  • Sacro

  • Tuberosidades Ísquiaticas

  • Côndilos do Fêmur

  • Calcâneo

  • Superfície Plantar das falanges do dedos do Pé

Transmitindo suas tensões através das Seguintes Fáscias:

  • Galéia Aponeurótica\Fáscia Epicranial

  • Fáscia sacrolombar\ Paravertebrais

  • Ligamento sacrotuberal

  • Ísquios

  • Gastrocnêmios e Tendão de Aquiles

  • Fáscia Plantar e flexor curto dos dedos do Pé

Linha Superficial Anterior

  • Acidentes Ósseos

  • Processo mastoide

  • Manúbrio do esterno

  • Quinta Costela

  • Crista ilíaca Antero-Inferior

  • Patela

  • Sínfise Púbica

  • Tuberosidade da tíbia

  • Superfície dorsal das Falanges dos dedos do pé

  • Fáscias Musculares

  • Superfície do Couro Cabeludo

  • Esternocleidomastoideo

  • Fáscia esterno-condral

  • Reto Abdominal

  • Reto Femoral/Quadríceps

  • Tendão Patelar

  • Extensores longos e curtos dos dedos, tibial anterior




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