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Salto Profundo e Treinamento


Treinamento Pliométrico (saltos) favorece a otimização do comportamento da junção músculo-tendínea durante o salto profundo.


Artigo original Hirayama e colaboradores 2017.

link https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphys.2017.00016/full


Já discutimos em outro artigo aqui no blog sobre o ciclo alongamento encurtamento esse método de exercício é utilizado a anos para elevar a capacidade de atlética em diversos desportos, e desde sua origem nos anos 50, tem suas fases descritas como ascendente e descendente, logo são interpretadas como concêntrica e excêntrica respectivamente, onde a segundo fase vamos absorver o contato com o solo, na fase excêntrica dos músculos que é onde os músculos tem a capacidade de contrair-se enquanto se alongam.


Mas será que é isso mesmo? Que quando realizamos uma sequência de saltos alternamos entre as fases concêntrica e excêntrica? Pois vamos ao artigo de Hirayama e colaboradores de 2017.


No artigo Hirayama e colaboradores eles dividem esse movimento em 4 fases ao invés de apenas 2, duas fases descendentes, onde a primeira é a de contato imediato ao solo e a fase dois diretamente após a queda, onde a força de reação ao solo é um movimento agora, as outra duas fases são relativas ao movimento de ascendência, ou de saída do solo para o salto ou ressalto.






No artigo de Hirayama ele dividiu um grupo sem treinamento e outro com treinamento, foi realizada uma avaliação prévia antes e depois, de um treinamento de 12 semanas com saltos profundos, onde os sujeitos foram instruídos a realizar apenas o amortecimento em seus tornozelos sem flexionar os joelhos, ou com a menor flexão de joelho possível, a avaliação consistia em observar as forças de reação no pé, o comportamento da junção músculo-tendínea nos gastrocnêmios e a atividade eletromiográfica do tríceps sural e do tibial anterior durante o salto Profundo. Também foram avaliadas a força estática máxima dos flexores plantares e a rigidez do tendão de aquiles.


O estudo foi realizado com 21 homens que não realizassem treinamento pliométrico previamente, estes homens foram separados aleatoriamente em dois grupos, o grupo que realizou o treinamento e o grupo controle (que não realiza intervenções), ambos não possuíam diferença significativa em idade, altura e peso.


O treinamento Pliométrico consistiu de 12 semanas, três vezes por semana, com um período de 1 semana de descanso exatamente no meio das doze semanas em uma sessão de treinamento os sujeitos realizavam 10 séries de 10 repetições de salto profundo com intervalo de 30 segundos entre eles. E como é possível visualizar na imagem abaixo um aparelho de ecografia ultra sônica (untrasond probe) foi colocado na panturrilha dos sujeitos para avaliar o ângulo de penação e contração da musculatura da perna direita.



A avaliação foi realizada com os sujeitos em 30 graus de inclinação, os avaliados saltavam utilizando apenas a perna direita na avaliação, a queda era de uma altura de 14,4 +/- 1,8 cm e era determinada pelo tamanho da perna dos sujeitos.Também foi avaliado a dorsiflexão do tornozelo, ou seja o quanto o pé dobrava em direção a canela durante a aterrissagem. E avaliação de eletromiografia de superfície foram realizados como mostrado no posicionamento dos (EMG electrodes) na imagem.


Resultados


Apesar de não concordar em sua totalidade no modo como foi realizada a análise estatística do trabalho e os testes escolhidos para tal, os resultados são bem interessantes e vou esmiuçar um pouco mais agora.


No grupo que realizou o treinamento não houve alteração da força máxima mas houve um aumento da rigidez dos tendões (p=0,017), o torque isométrico também permaneceu inalterado. A força de impulsão do salto profundo aumentou de forma significante onde antes era de 168 N/s de média e passou para 192 N/s e o p=0,001 já no grupo controle não houve diferença estatística e a média permaneceu em 160 para 155 N/s.


Houve redução do tempo de contato com o solo (0,365 para 0,310 segundos onde o foi de p=0,010) lembrando o artigo anterior este tempo de reação ao solo é lento e isso é justificável neste estudo pois os sujeitos nunca haviam treinado salto anteriormente, já a força de reação apresentou elevação na metade final da absorção do impacto e fase inicial da propulsão. No grupo controle as forças de reação ao solo permaneceram inalteradas.


Na fase final da absorção do salto a eletromiografia apresentou um aumento no tríceps sural e redução do estímulo no tibial anterior, mas o comportamento das fibras do gastrocnêmios não apresentaram alteração.


Na fase inicial da propulsão, a eletromiografia demonstrou que o tríceps sural apresenta redução da velocidade de encurtamento dos fascículos ao passo que houve um aumento da velocidade de encurtamento dos tendões.


Um aspecto interessante que foi descrito neste estudo foi o comportamento dos fascículos musculares no grupo treinamento, que apresentavam na primeira fase do ciclo uma contração do tipo excêntrica antes do treinamento e após o treinamento essa contração tornara-se concêntrica, na segunda fase do salto tanto no pré treinamento quanto pós treinamento apresentavam um tipo de contração isométrica, onde não há movimento das estruturas, na terceira fase a velocidade de encurtamento dos fascículos reduziu significantemente e uma contração que era concêntrica passou lentamente a se tornar isométrica no pós treinamento essas alterações podem ser vistas no quadro abaixo.



Estes resultados sugerem que este mecanismo do ciclo de encurtamento estiramento otimizando o comportamento da junção músculo-tendínea dos agonistas, associado com alterações na atividade neuromuscular durante os exercícios que apresentam ciclos de encurtamento-estiramento gerando maior rigidez nos tendões, reduzindo a atividade neuromuscular dos antagonistas durante o contramovimento.


Uma estratégia que pode ter contribuído para tais resultados é a capacidade de co contração muscular, onde o treinamento mesmo em tão pouco tempo, foi capaz de produzir alterações na capacidade de pré-tensão em momentos específicos da técnica desportiva, e isso poderá fazer com que o atleta tenha a capacidade de desenvolver um ajuste mais fino na rigidez muscular, de tal modo que seus tendões possam produzir maior capacidade elástica no momento exato.


Esse tipo de estratégia é mais eficaz, evitando lesões, produzindo velocidade em um contexto correto, claramente que esse ajuste fino é treinamento dependente, e ai que o treinador e o fisioterapeuta entram, entendendo o movimento técnico e fragmentar em “momentos” diferentes e novamente reuni-los em um gesto complexo e completo.


Devemos considerar a especificidade do trabalho e que no artigo em questão a velocidade de reação foi baixa, como já citado anteriormente, no desporto de alto rendimento este tipo de estratégia de velocidade baixa é contestável, porém para o ser humano comum, pode ser uma estratégia otimizada de treinamento para evitar lesões do dia a dia, já para o treinamento de atletas já existem algumas evidências que o treinamento de velocidade deva ser realizado ainda com sobrecarga para que possa dessa forma transferir melhor a nova capacidade de ativação muscular para o momento técnico do jogo (Marques et al 2011 e Gruber e Gollhofer 2004), e reduzindo a ideia que o treinamento incondicional sem carga é idêntico ao com carga, ou seja aprender um movimento sem carga externa não é igual a realizá-lo com carga externa, ou seja o cérebro aprende duas vezes, mas isso será discussão para outro momento.


Forte abraço e bons estudos.


Referências


M. C. Marques, T. J. Gabbett, D. A. Marinho, A. J. Blazevich, A. Sousa, R. van den Tillaar, M. Izquierdo, Influence of Strength, Sprint Running, and Combined Strength and Sprint Running Training on Short Sprint Performance in Young Adults - J Sports Med 2015; 36(10): 789-795 DOI: 10.1055/s-0035-1547284


Gruber M1, Gollhofer A.Impact of sensorimotor training on the rate of force development and neural activation. - Eur J Appl Physiol. 2004 Jun;92(1-2):98-105. Epub 2004 Mar 13.

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