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Fisioterapia Vol 1 & 2
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Coordenação e Estabilidade intra, inter e entre músculos

Estabilidade e Coordenação muscular são conceitos um pouco diferentes, mas interdependentes entre si.


Não digo que isso seja abstrato, pois conseguimos compreendê-los bem, são conceitos mais complexos, multifatoriais, e por isso são difíceis de serem mensurados por uma estatística analítica e simplificada como as que normalmente são utilizadas em trabalhos científicos.


A estabilidade muscular é muito mais qualitativa do que quantitativa, é como este músculo distribui a tensão ao longo de seus elementos contráteis e elásticos, tem tudo haver com a tarefa a ser desempenhada no momento.


Devemos compreender as características ISOvolumétricas da contração muscular, o músculo deve manter esse volume constante, uma contração que distribua as forças de tensão em diversas direções, basicamente ao longo do músculo e também na sua largura, ou na transversal.


Longitudinalmente as tensões servirão para dispersar tensão para músculos ao lado, e longitudinalmente as tensões chegaram até os pontos de ancoragem de cada músculo nos osso, através da fáscia, ou seja do epimísio, endomísio, perimísio e tendão.



Este mesmo pensamento repete-se a nível celular, ou seja um sarcômero distribui suas forças de forma longitudinal e transversal através das proteínas contráteis como a titina e transversalmente através dos costâmeros, proteínas que ligam-se o sarcômero à membrana celular, são associações de proteínas sub-sarcolemais que agregam mecanicamente a unidade contrátil do músculo à membrana plasmática prevenindo danos ao sarcolema (similar a uma âncora)


Você já havia pensado na coordenação dos sarcômeros durante um exercício? ou Pensado em como as pontes cruzadas estão se tocando? Já pensou na actina, miosina e na titina ?

Você alguma vez pensou que elas podem ter um certo nível de coordenação?


A esse nível damos o nome de “Coordenação intra-muscular”


A estabilidade do sistema músculo-esquelético, é a capacidade de tolerar impactos e perturbações sem danos estruturais, esse conceito está associado ao conceito de conectividade e suscetibilidade do sistema ou no caso tensegridade.


Tensegridade ou traduzida para um organismo vivo, biotensegridade é a capacidade de absorver, perceber e transmitir tensões de um ponto para outro.


Entender tensegridade é assumir que o sistema músculo esquelético pode ser auto-organizado e responde a sua própria interação com o ambiente, desde sua menor parte actina e miosina, até sua maior parte, membros e corpo como um todo.


Então para trabalhar inicialmente a coordenação e estabilidade intra-muscular devemos realizar exercícios que possibilitem uma sobreposição ótima deste filamentos em ângulos específicos, realizamos isto com exercícios isométricos nos ângulos que queremos melhorar ou o mais próximo dos ângulos utilizados no esporte que a pessoa pratica.


O segundo passo seria a coordenação intermuscular ou seja mais de um músculo agindo em consonância com outro ou outros, dentro de um segmento por exemplo, isso é facilmente treinável, mas com ressalvas, temos um problema com os graus de liberdade.


Na verdade não se trata de um problema, isso foi uma tradução errada, do trabalho de Bernstein 1929, para o Inglês, Bernstein era Russo. O problema por ele descrito podemos chamar hoje de:


Problema computacional, já que temos:


790 Músculos

100 Articulações

1012 Neurônios externos ao cérebro

Bilhões de receptores na pele, nas articulações e músculos para informar os movimentos

Um ambiente com infinitas possibilidades de layout,


Surge agora um problema computacional, de quais informações devemos utilizar para dar respostas, nas teorias representacionistas precisamos de um comandante Top-down, o cérebro.


Imagine o trabalho computacional, de cálculos que ele teria, ao precisar calcular todos os ângulos por exemplo de uma martelada em um prego, que foi o exemplo que Bernstein descreveu, são 6 eixos de movimento no ombro, 3 no cotovelo, 6 no punho, mais o tronco, cabeça, dedos da mão, quantas possibilidades de ângulos existem? Quais as forças necessárias em cada um dos músculos do membro superior para que o movimento não puxe para lateral ou para medial, ou ocorre uma rotação indesejada em um ponto crucial do movimento.


Pensando desta forma temos um sistema nervoso redundante onde a quantidade de soluções é maior que o estritamente necessário, isso é um grande custo energético de graça. Esse processamento é custoso nas teorias representacionistas.



E neste momento voltamos a bater na tecla da auto organização do sistema musculoesquelético, onde o cérebro auxilia mas não controla totalmente o movimento, serviria como um órgão catalisador do movimento.


A estratégia bottom-up não tem o cérebro como centro, e o corpo todo deve se organizar, assim um sistema dinâmico tem a possibilidade de se adaptar mas mais do que isso a capacidade de trocar energia com o ambiente, essa troca permite então a auto-organização, um padrão espontâneo que emerge da interação dinâmica dos componentes do sistema com o ambiente e aqui neste ponto é onde ocorre a gênese do movimento - movimento caótico e organizado.


Neste momento é onde executamos a coordenação e estabilidade entre músculos e os exercícios são o próprio movimento ora com restrições e treinado em pequenas partes ora o gesto completo e ambientes caóticos e dinâmicos.


Essa coordenação deveria fazer parte tanto do processo de planejamento e treinamento quanto dentro de um mesmo dia de treinamento. Mas por vezes para não dizer sempre, a coordenação intramuscular e intermuscular é ignorada e apenas a coordenação entre músculos ou o próprio gesto desportivo é observado e treinado esperando que a resposta otimizada seja obtida, o que só ocorre em algumas pessoas, e neste ponto dizemos que “fulano tem o dom”.


Se o treinamento fosse realizado como se treina um novo guitarrista, primeiro aprende a apertar uma corda, segundo ele treina os acordes separadamente e o dedilhar separadamente, e com o tempo se treina o conjunto todo acordes, com dedilhar e por fim aprende-se uma música e até técnicas de improvisação.


Se essa lógica fosse aplicada à reabilitação e ao esporte acredito que teríamos uma maior chance de sucesso.